Diferente de outros textos onde me perco procurando inspiração, falar sobre a solidão é a coisa mais fácil para mim. Uma insatisfação que me aflige, na maioria das vezes a noite, quando meu corpo e minha mente estão cansadas, como recompensa recebem um turbilhão de desânimo. Ah, como noites assim são difíceis mas o pior é saber que o amanhecer não vem acompanhado da alegria, mas a chegada do Sol somente marca para mim mais um dia de tristeza. É tão decepcionante sentir que o tempo se esvanece cada minuto que passa e que a situação não melhora, olhar em volta e ver o amor, o carinho, a saudade pairando ao redor mas bem distante de pousar em mim.
Estará lá para mim? Todas as vezes que eu necessitar? Como faria bem ouvir tais palavras de alguém, senti-la perto, compartilhar minha vida, dizer que o amor é eterno, porém, quis o destino que isso não acontecesse comigo. Triste, fico a pensar em todas as coisas que posso oferecer, todo o amor, a inspiração e a gratidão que teria comigo por tê-la em minha vida, no prazer que teria ao lhe perguntar se você me ama, se ao mínimo sonha comigo. Isso me leva a refletir: Será que alguns são condenados a viver sem o amor? Em dedicar todo o coração a tristeza? Muitos responderão: basta esperar. Como é difícil ouvir isso! Sendo verdade ou não, estando preparado para amar mas não poder amar. Conseguindo sustentar a tese sobre esperar, é preciso haver esperança.
Esperança é o necessário para sobreviver, mas fora ela, tenho feito novos amigos: a música, escutá-la verdadeiramente renova a esperança, concede forças para imaginar um futuro melhor; a raiva, mesmo que momentânea ajuda a vencer o seu Eu romântico e substituí-lo pelo o Eu que não se importa com nada, infelizmente não é fácil sustentar essa situação; O auto desapontamento, um princípio de depressão chega nessas horas para dar uma mão. Inúmeras coisas vem a minha cabeça fazendo mais mal do que bem, porém o engraçado é que essas coisas fazem e não fazem. Me fazem contente por saber que alguém paga por isso, que sou eu, o quanto mais triste, acabado e quebrado transmitem uma paz, mas o que não conseguem fazer é esquecer você. Primeiro amor ou não, a alma apaixonada mas não correspondida sempre gera solidão e o que fazer? Imaginar? É bom mas sempre não passará de uma ilusão. Contemplar as estrelas? Não funciona para mim, pois sempre vejo seu rosto no céu e sempre confundam o brilho das estrelas com o de seus olhos. Buscar ajuda em poemas e músicas? Momentâneo, pois quando acabar você voltará a realidade. Mas de todas essas coisas a mais difícil é somente olhar. Ver mas nunca tentar, pois, nunca saberá a resposta. Se for não? Abrace novamente a solidão, mas com certeza que por poucos momentos o amor se aproximou. Se for sim? Felicidade é muito vago, pois se o sim chegasse com certeza eu não escreveria isso, eu seria outro.
Finalizando o texto, não a solidão, o amanhã é tudo o que resta, tive minha chance, o que resta sou eu e mim caminhando para o futuro mas nunca esquecendo do que poderia ter acontecido no passado. Somente o que digo, se talvez chegar a seu conhecimento essa melancolia não se entristeça, como eu disse: quem merece e deve pagar por tudo isso é apenas eu.
Jonathan Matos, 07/12/2011.