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sábado, 16 de janeiro de 2016

A racionalidade administrativa na lógica de ação dos dirigentes da empresa estatal

ALUNO: JONATHAN MATOS DE FARIA - 201368015-3 - UFRRJ - IM

    O objetivo desta resenha é investigar as ações dos dirigentes estatais perante os conflitos entre a racionalidade pública e a racionalidade privada na gestão. Este texto é baseado em uma dissertação de mestrado apresentado por Vera Lúcia Bezerra na Universidade Federal de Santa Catarina, no Curso de Pós-Graduação em Administração. O estudo que diz respeito a racionalidade administrativa fundamentou-se no campo prático de empresas estatais do estado de Santa Catarina, com uma metodologia de pesquisa de a partir dos estudos de Max Weber e de autores como Peter Evans e Bresser Pereira.

     A discussão da relação entre o público e o privado surge de forma clara e atuante sobre o âmbito das organizações através dos pensadores burocráticos e weberianos. Contudo, no Brasil, a dinamização do processo de gestão nas organizações, seja do Estado seja privada, surge a partir da década de 1930, onde vemos lampejos de uma abordagem levemente consciente, racional, intervencionista e empresarial. A crise econômica internacional de 1929, repercutiu sobre a sociedade tupiniquim. Nesse ínterim, ideais político-econômicos, além de inúmeras tentativas e acertos revolucionários ocorreram, não obstante, a ascensão de Getúlio Vargas ao poder tornou-se o fato mais marcante. A partir deste ponto crível, a política que se estabeleceu induziu uma transformação do Estado com seu sistema econômico. Como principal fruto desta nova relação, emergiram as empresas públicas, destinadas inicialmente a fim de subsidiar setores e atividades tidas como prioritárias para o Estado Novo. Obviamente, este processo capitalista obteve estrutura e arranjo organizacional oriundo da gestão da empresa privada da época. Todavia, conjuntos novos de estruturas de poder e práticas sociais, políticas e econômicas foram introduzidas na atividade estatal. 

     O paradigma manteve-se estável por praticamente três décadas até que com o decreto Lei nº 200 de 25 de fevereiro de 1967 e a consequente descentralização administrativa, os objetivos econômico-sociais do Governo ascenderam. Novos pressupostos teóricos, como maior autonomia, poder de decisão e tipologias de racionalidade administrativa – ramificada em privativista, público-complementar e público-social – iniciaram o pensamento moderno de gestão estatal.  Isto por sua vez, refletiu nos conceitos modernos, por exemplo, a criação da administração direta e indireta e principalmente no planejamento e coordenação das ações estatais, pautadas e delegadas a partir deste momento em termos jurídicos que vigoram até os dias atuais.

     Mesmo com este avanço, não foi possível fugir das contradições. Como parte do Estado a empresa aliena seus objetivos a visão macro do governo, enquanto, como empresa capitalista, auferi objetivos particulares, as vezes incompatíveis com o Estado. Diante disto, autora trata de realizar, gamas de pesquisas metodológicas, com gestores estatais da região de Santa Catarina. Suas conclusões foram que, no ambiente das estatais desta região: o cargo de direção é entregue como objeto de confiança e não resultado da ascensão como em uma empresa privada; os próprios dirigentes pesquisados não se identificavam como uma racionalidade privativista; não aceitação de moldes privativistas na ação administrativa, o que revela uma tendência forte para a falta de autonomia em detrimento da intervenção do Estado; quando há a discordância com a intervenção do Estado na economia, esta deriva da ingerência na administração do governo, e não propriamente dito à participação do Estado. Por conseguinte, vemos que a visão geral entre os pesquisados, é que o papel estatal está dividido entre o incentivo à iniciativa privada e a promoção do social. Não há escapatória ao conflito.

     Esta visão de máquina pública, contudo, não se restringe atualmente a região sul, mas sim, a grande a nação. Esta carência da lógica da racionalidade privatista hoje reflete na falta de eficiência da empresa pública brasileira, uma vez que a intervenção praticada pelo Estado brasileiro encontra-se esgotada e afeta diária e diretamente na transparência, na segurança jurídica, no lucro, na competitividade e autonomia das estatais.


Bibliografia: CUNHA, Vera B. M. Carneiro da. RACIONALIDADE ADMINISTRATIVA NA LÓGICA DE AÇÃO DOS DIRIGENTES DA EMPRESA ESTATAL: Um estudo nas empresas estaduais de Santa Catarina.