Inteligência Social
Inteligência social ou Inteligência interpessoal é a habilidade de entender e reagir adequadamente a seu meio social e desenvolver relações saudáveis e produtivas. Segundo Daniel Goleman, baseando-se na neurociência, a inteligência social consiste da percepção social (incluindo empatia, compatibilidade, inteligência emocional e cognição social) e faculdades sociais (incluindo sincronismo, auto apresentação, influência e atenção ao outro). A inteligência emocional é sua área mais estudada no Brasil.
Alguns estudos indicam que pessoas que confiam mais nos outros tem mais inteligência social do que as mais desconfiadas contrariando as crenças populares. Inclusive sendo capazes de identificar quando uma pessoa está mentindo ou trapaceando e quando está dizendo a verdade com mais precisão. Diante de trapaças aqueles que confiavam mais reagiam de forma semelhante aos que confiavam menos. Os mais desconfiados acreditaram que os pesquisadores estavam trapaceando mesmo quando não estavam. Uma possível explicação seria que pessoas mais desconfiadas se socializam menos e evitar contato mais íntimo e por isso desenvolveriam menos suas habilidades sociais.
Inteligência social descreve a capacidade exclusivamente humana de usar o cérebro para lidar de forma eficaz e negociar complexas relações sociais e ambientais. Psicólogo e professor da London School of Economics, Nicholas Humphrey acredita que é a inteligência social ou a riqueza da nossa vida qualitativa, ao invés de nossa inteligência quantitativa, que realmente torna os seres humanos o que são - por exemplo, o que é ser um ser humano vivendo no mundo consciente de sua existência, rodeado de cheiros e sabores, possuindo sentimento de várias naturezas. O cientista social Ross Honeywill acredita que a inteligência social é uma capacidade para gerir uma mudança social complexa que deriva de uma medida agregada de autoconsciência, que evoluiu de crenças e atitudes sociais. Uma pessoa com um alto quociente de inteligência social (SQ) não é melhor ou pior do que alguém com um SQ baixa, eles só têm diferentes atitudes, esperanças, interesses e desejos.
Inteligência social de acordo com a definição original de Edward Thorndike é "a capacidade de entender e gerenciar os homens e mulheres, meninos e meninas, para agir com sabedoria nas relações humanas". É equivalente a inteligência interpessoal, um dos tipos de inteligências identificadas na Teoria de Howard Gardner de inteligências múltiplas, e intimamente relacionado com a teoria da mente. A inteligência social é a competência de uma pessoa de compreender seu ambiente ideal e reagir adequadamente para a conduta socialmente aceita.
Quociente de Inteligência Social (SQ)
O quociente de inteligência social ou SQ é uma abstração estatística semelhante à abordagem de "escore padrão" usado em testes de QI com uma média de 100. Ao contrário do teste de QI que possui um padrão, no entanto, não é um modelo fixo. Ele se inclina mais para a Teoria de Piaget que a inteligência não é um atributo fixo, mas uma complexa hierarquia de processamento de informação habilidades subjacente, um equilíbrio adaptativo entre o indivíduo e o meio ambiente . Um indivíduo pode, portanto, mudar seu SQ, alterando suas atitudes e comportamento em resposta ao seu ambiente social complexo.
Inteligência Social em Animais
Segundo a pesquisadora Kara Schroepfer, cachorros são os que possuem mais inteligência social para se comunicar com o ser humano do que qualquer outro animal. Parte disso é resultado da seleção natural induzida pelo homem por milhares de anos. Provavelmente por milhares de anos, os cachorros que não conseguiam se comunicar adequadamente com os humanos tiveram menos chances de serem adotados e protegidos por nós, e consequentemente de sobreviver e passar seus genes a diante.
Animais que vivem em bandos desenvolvem a inteligência social como forma de melhorar suas chances de sobrevivência. Exemplos de animais com inteligência social bem desenvolvida são golfinhos, baleias, macacos, elefantes e lobos.
Hipótese Inteligência Social
A "hipótese de Inteligência Social 'na ciência afirma que a socialização complexa (política, romance, relacionamentos familiares, brigas, colaboração, reciprocidade, altruísmo) que vivemos foi a força motriz para o desenvolvimento do tamanho dos cérebros humanos e fornece hoje a nossa capacidade de usá-los em complexas circunstâncias sociais.
Foi à demanda de convivência que levou a nossa necessidade de inteligência. Esta ideia é chamada de "hipótese da inteligência social".
Professor de história antiga na Universidade de Reading, Steve Mithen, acredita que há dois períodos-chave da expansão do cérebro que contextualizam a hipótese da inteligência social. A primeira foi em torno de dois milhões de anos atrás, quando o cérebro cresceu cerca de 50%. Assim, os seres humanos passaram do tamanho do cérebro de cerca de 450cc para um cérebro de cerca de 1.000cc a 1,8 milhões de anos atrás. Arqueólogos notando essa mudança em primatas perguntaram: por que os cérebros ficaram maiores e o que isso proporcionou? Os cérebros não iriam ficar maior apenas por quaisquer razões, porque o tecido cerebral é metabolicamente muito complexo, então tem que estar servindo a um propósito importante. Mithen acredita que a hipótese da inteligência social sugere a expansão do tamanho do cérebro em torno de dois milhões de anos atrás, porque as pessoas viviam em grupos maiores, os grupos mais complexos, tendo que manter o controle de pessoas diferentes, um número maior de relações sociais que exigiam um cérebro maior a fazê-lo. Inteligência social, portanto, nos dá a resposta a essa primeira expansão do tamanho do cérebro a 2 milhões de anos.
O segundo aumento no tamanho do cérebro ocorreu entre 600.000 e 200.000 anos atrás, e durante esse período o cérebro atingiu sua capacidade moderna. Para explicar a segunda expansão em tamanho do cérebro ainda é uma pergunta muito difícil. Mithen acha que está diretamente relacionado com a evolução da linguagem. A linguagem é provavelmente a tarefa mais complexa e cognitiva que realizamos. Linguagem está diretamente relacionada com a inteligência social, porque nós, principalmente usamos a linguagem para mediar nossas relações sociais.
Assim, a inteligência social foi um fator crítico para a expansão do tamanho do cérebro. Há uma evolução entre a complexidade social e cognitiva. E hoje a inteligência social é fundamental na gestão da complexidade dos seres.
A Inteligência é diferente da Inteligência Social
Não é suficiente apenas ser inteligente segundo o professor Nicholas Humphrey. Crianças autistas, por exemplo, são por vezes extremamente inteligentes. Elas são muito boas para fazer observações e lembram-se de tudo. No entanto, argumenta-se que a inteligência social é baixa. Os chimpanzés são muito inteligentes ao nível de ser capaz de fazer observações e lembrar das coisas. Eles podem se lembrar melhor do que os seres humanos. Podem, mas, novamente, não sabem como lidar relações interpessoais. Portanto, algo a mais é necessário. O que é necessário é um estudo da mente, mostrando como as outras pessoas lidam com o interior. Durante muito tempo o campo era dominado pelos chamados behaviorismo. Os cientistas pensaram que podiam entender os seres humanos, ratos, pombos, apenas observando o que se passa, escrever tudo, fazendo correlações e assim por diante. Acontece que você não pode. Tem que ser pensado em termos do comportamento da estrutura interna.
Jonathan Matos, 03/09/2011, Nova Iguaçu.
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