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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Manuel Bandeira- João gostoso - Releitura

Diferença proibida

       João, um dos milhões de brasileiros que tem base no mercado informal. Morador do
Morro da Babilônia, um lugar repleto de desigualdades, onde mesmo assim encontrava alegria, pois mesmo morando em um barracão sem número, era grato, já que, muitos não gozavam deste privilégio.
       Um desconhecido vivendo no fim do mundo, homem esforçado que preferia ter uma vida sofrida ao invés de se entregar as tentações que lhe eram propostas. Órfão desde sua infância, exposto a diversos problemas, mas nunca conformando-se e sempre tentando mudar sua realidade. Fora trabalhar como um carregador de feira, ainda encontrava tempo para fazer a diferença, chegando a ser conhecido como João Gostoso, não por sua aparência, mas pela felicidade em meio a tantos desgostos.
       Não media esforços para ajudar as pessoas. Mesmo sendo jovem, passava experiência de vida aos mais velhos. Desenvolvia atividades para as crianças, sempre com o tema: não adentre no mundo das drogas. Aos viciados e prostitutas, no lugar de rejeição dava conselhos, e assim, ajudando ele foi ajudado. Sua comunidade, vendo tal exemplo, o ajudou na moradia, na alimentação e no que mudaria a vida dele para sempre: a política.
       Do joio ao trigo, do inferno ao céu, João Gostoso aderiu a política, com ajuda um pouco duvidosa, porém, sem nunca esquecer seu foco de ajudar o próximo. Se candidatar foi fácil e com sua reputação, ganhar foi mais fácil ainda. Assumiu o mandado e ao longo de meses as melhorias ficaram perceptíveis. Melhor era impossível, mas ainda havia mais um cálculo nessa equação.
       João foi posto ali por pessoas que não eram bem intencionadas, e, não cedendo as pressões e sem pender para o mal, acabou por entrar em seu caminho.
       A vida continua, leis para o bem social aprovadas, contudo, havia algo pendente. Os mesmos que o colocaram na política, agora queriam tirá-lo. Desse modo, na festa de um ano de mandato, eles colocaram o plano em prática.
João, inocentemente entra uma noite no bar 20 de Novembro, que faz alusão a Quilombo dos Palmares e a consciência negra. então, melhor lugar não havia para comemorar uma superação. Ele bebeu, cantou, dançou e tudo ia bem. 
       Ao final da festa, todos foram saindo, inclusive João. Passando pela Lagoa Rodrigo de Freitas, o carro apresentou defeito, e enquanto o motorista foi buscar ajuda, o grande exemplo de vida atirou-se na lagoa e morreu afogado. Pelo menos essa foi a história oficial, dizendo que ele, em estado de depressão, decidiu por abdicar de sua vida.
       História nenhum pouco convincente, mas que funcionou com a força da corrupção e do descaso. E assim foi, do jeito repentino de subida também foi sua queda. impedido de mudar o mundo, não pela acomodação e palas festas de Gran Monde, mas sim pelo puro e simples sistema.
       Uma estória que contem diversos elementos que marcam a história.

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