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terça-feira, 22 de maio de 2012

Resenha de JONATHAN MATOS: Sociedade dos poetas mortos


       Uma subversão aos padrões estipulados pela sociedade é um excelente termo para designar o filme Sociedade dos Poetas Mortos. Retratado em uma época oportuna, em meados de 1950, traz as dificuldades e discriminações contra pensamento inovador.
       Com um título perspicaz, poetas mortos remete à poesias antigas, que levam aos estudantes adquirirem liberdade de seus pensamentos e não a se limitarem ao que lhes é proposto na escola, pois o meio utilizado por tal para o ensino preconizava a obediência rígida e o não desvio da conduta socialmente estipulada. Um verdadeiro ciclo, no qual, a repetição das ações dos antepassados era priorizada. Tanto o instituto educacional quanto a família acreditavam nisso, induzindo, obrigando e encaminhando a vida dos jovens sem que eles tivessem nenhuma voz ativa.
      Contra essa corrente aparece o professor Keating, com uma forma totalmente revolucionária de ensinar. Por meio da participação e integração de seus alunos, os incentivando não somente a cumprir os objetivos traçados, mas sim, primeiramente, buscar os próprios desejos e sem se esquecer de aproveitar o dia, o famoso carpe diem. Podendo considera-lo utópico para a época, Keating, através da observação da vida de maneiras diferentes e a superação de paradigmas, conseguiu demonstrar que o modelo habitual que os jovens estavam acostumados, levava ao homem a uma existência de tranquilo desespero, já que o tempo e conquistas o consomem.
       Envolvidos nesse sentimento, os entusiasmados garotos começaram a concretizar suas ideias. Uma das ferramentas utilizadas foi a lanterna, que alumiou o meio físico e mental, assim como no mito da caverna da Platão, desbravaram a escuridão e o desconhecido que estavam à frente. Procuraram uma caverna, onde não só seria o lugar para as reuniões, mas também o símbolo da exclusão do mundo exterior e todas as suas influências. Aprofundando e adquirindo experiências, os que estavam envolvidos nesta obra despertaram do sono, renovando suas existências, ressuscitando a sociedade dos poetas mortos.
       Uma onda tão envolvente, que acabou os levando a um caminho sem volta, onde o suicídio de um dos seus, acarretou na dissolução da comunidade e na demissão do professor. Mesmo assim, no último momento, esses revolucionários fizeram um  gesto de apoio, confiança e agradecimento, colocando-se em cima das cadeiras na despedida de Keating.
       A partir desse desfecho é possível estabelecer uma conexão com a segunda fase modernista, pois esses  dois elementos possuem características de sensibilidade para exprimir um novo tempo, questionando a existência humana, de maneira a descobrir novos horizontes, independente do quão árduo seja alcançar o alvorecer

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